A entidade sem falar ou advertir simplesmente ataca o vagante e com seu tremendo golpe desloca o corpo dele a metros do solo....O impacto é forte, seu corpo se estatela no chão, a dor é tremenda e sua mente é deslocada,por essa dor até ao seu passado, quando ele fugia junto com os animais de uma floresta de um incêndio e deu de cara com um criminoso que fugia desenfreado em sentido contrário ao dele, sem saber que se ele entrasse por aquele caminho o malfeitor morreria assado... O homem também nem ao menos quis saber de ouvi-lo e se atracaram em um combate corpo a corpo enquanto o fogo os tentava maliciosamente encobri-los..Não haveria tempo para as devidas explicações, mais ma vez a natureza, o destino, seja lá o que for o coloca em xeque e nada mais se torna do que matar o morrer e o nosso vagante se mostra instintivo de maneira automática, sem pensar reage...E sobrevive!
Sim ele entendeu bem cedo de que algumas coisas são porque tem de ser e não se pode em momentos de ação ponderar e pensar muito sobre tais desígnios e destinos, somente temos de sobreviver a cada golpe, a cada impacto, por mais forte e doloroso que possa ser, mesmo que tenha de se retirar forças, energias de dentro de suas entranhas ou de sua alma você tem de sobreviver!!!Agora transportado para a realidade e de imediato perigo, suas forças saem em dobro das margens do rio do passado...Sim, não seria a primeira e nem tão pouco a última vez de que ele iria por fim nesse combate...Assim encrespou sua mão na espada, velha mas sempre fiel ás suas batalhas da vida e sobre um salto desferiu golpes derradeiros que o colocaram a altura da entidade que entendeu, naquele momento que seu destino também estaria selado ao do vagante, dali somente sairia um e mesmo a entidade torcia para que fosse o vagante, pois em seus pensamentos fragmentados, enevoados pela dor da morte física ela lembra de sua dor, de sua perda...Marido e filhos por atos de violência que não a deixaram seguir em diante, sempre em busca de vingança no mesmo lugar que os malfeitores havia silenciados os seus maiores amores...E então mesmo saciada com o sangue dos algozes o tamanho ódio a fez continuar atacando a quem passasse no encruzo, até a chegada de alguém que colocasse fim em sua segunda e tortuosa vida...Mesmo quem sabe por um vagante,pois tal alma não era luxuosa aos desígnios.
Então ele a enterra as margens da estrada, e lhe faz uma rústica cruz de madeira de cambará que durará muito tempo, que se testemunharia como um sinal de paz final aquele corpo atormentado, sim, paz!
Afinal ele segue e no somar das contas ele é que se sente o perdedor e não o vencedor, e por um breve momento ele inveja o tumulo fresco...Então quando sua imagem vai sumindo no calor da estrada, uma rosa branca nasce e sobe, rapidamente enlaçando a cruz de cambará, e sim ela finalmente encontrou a paz...

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