
Os golpes de espada ,facões e machados, tingiam o barro de um carmim vivo, era o sangue da hedionda serpente, que se contorcia fortemente tentando escapara da armadilha, mas ferida fraquejava a cada golpe recebido...Contudo em meio a peleia, a emoção engana muito aos novatos que acham que podem com um bicho matreiro como esse...Ela se encurva, simulando dor então Jopah, Alejandro e Gobhe, avançam demais pra frente do bicho, bem próximo a sua bocarra e não deu outra: NHAC!NHAC!NHAC! Bocadas mortais de veneno os atinge paralisando-os de imediato, e uma vez mordido pela serpente dos umbrais, não havia mais retorno como homem, pra esse mundo....E a serpente com ajuda da magia antiga do Boi Tá-tá, faria bom uso desses corpos, e como marionetes eles se voltaram contra os antigos amigos e começaram a cortar as cordas que apreendiam á serpente fortemente a beira rio...Agora não nada menos que cascas vazias, zumbis ou corpos secos, á serviço da maldita criatura...Assim acontece o mais triste dentro mesmo de uma batalha, onde os amigos e inimigos deveriam ser distintos...Thomas ,Baldúr e Gomes têm de lutar contra seus antigos companheiros, pois sabem que se o bicho sair das amarras será o fim de todos eles e a companhia não terá seu êxito de propósito firmado pela honra desses homens.
Irritado e ainda odiando a maldita serpente por ter interferido nos seus " negócios ", Pedro Ribas monta em um cavalo e tomando de uma lança se arremete direto ao corpazil da serpente...Ele mira na costela esquerda um puco abaixo de seu grosso esterno e penetra profundamente a lança, juntamente com o impacto do cavalo, que estremece o bicho de dor, fazendo-o se debruçar por momentos no solo, por momentos...Apenas!
A criatura se levanta como que tomada por uma descarga elétrica e em uma rabanada com sua cauda de ferrão na ponta transpassa o peito de Pedro Ribas e o lança no ar que se estatela no chão, balbuciando palavras reveladoras ao próximo ataque da companhia e então desfalece no chão lamacento...
- A maldita têm o coração trocado, tá na direita e não na esquerda!- foram suas ultimas palavras.
Enquanto isso, dos três que lutavam contra os zumbis da serpente somente Baldúr sai com vida e se enfurna também em atacar pelo caminho ensinado poe Pedro Ribas, o lado direito da serpente.
Marco sobe em uma árvore e pula sobre o pescoço da serpente, por suas costas, e ela vaqueia tentando joga-lo ao chão, em meio a isso Marco golpeia sua garganta, quase descolando a cabeça do corpo hediondo, e mesmo assim ela resistia a ponto de virar a Bocarra e tentar engolir por inteiro marco, quando de onde ninguém sabe veio uma lança que atingiu entre as mandíbulas do bicho, que não poderia engolir...Marco estupefato pelo lindo arremesso vê que o veio das mãos do Jovem Dornes, que de momento paralisara pela presença daquele demônio, mas agora acordara em bom tempo...Sim a chance foi dada e o bicho começava a cair, com a segunda lança ferindo o coração direito, era a vez de Baldúr, marcar sua presença...E na finalização saltando de uma árvore maior e no tempo certo o Vagante destroça a coluna cervical do monstro, que tomba sem vida e juntamente, com ele vários bravos dessa companhia...
Dornes e Baldur se abraçam de alegria pela vitória e por suas vidas, enquanto isso Marco cai sobre seus joelhos ha algo errado!
Os amigos correm e sua direção e notam que um dos dentes de veneno maldito atingira a cocha de Marco atravessando sua armadura...Eis o final das desventuras desse homem judiado pelo destino e pela morte...Todos sabiam de que se Marco continuasse respirando logo se tornaria em algo monstruoso e não humano...
- amigos, vocês sabem o que fazer...Não tenho outro caminho, não quero viver como uma aberração nesse mundo...Prefiro morrer como homem, dignamente! Portanto: façam!!!
Eram os olhos incrédulos dos companheiros que os deixaram paralisados, sim o mundo não era justo, e eles estavam ali, prestes a perder mais um amigo, um companheiro de armas, e de uma maneira também hedionda : pelas suas próprias mãos! Eles não conseguiam levantar suas espadas, não era nada fácil...E em meio aquele impasse se aproximando a transformação de Marco, ouviu-se u zunir e tilindar de aço cortante contra carne e ossos..Foram dois movimentos rápidos que arrancam a cabeça de Marco e abrem suas costelas e esterno e deixam a mostra seus coração, que ainda estava pulsando quando o Vagante o arranca do peito do corpo de Marco...Luta justa. Morte digna!Após queimarem o corpo de Marco, colocando as cinzas em um pote, trataram de chamar um inquisidor de corpos, para o triste trabalho a seguir, Baldúr e Dornes velariam os corpos dos amigos em suas terras natais...
- Mas esse aqui o tal Pedro Ribas? O que faremos com ele? - perguntou Dornes ao Vagante- Afinal o homem nunca me disse sua terra natal...
- Enterrem ele bem na curva de um estradão, era onde ele mais se sentia feliz, lidando com seu "negócio", e vendo a boiada e tropa passar...- respondeu o vagante, com uma larga risada!
Quanto a Marco o homem foi deixado ao lado do túmulo de sua ultima família que o acolheu...Quem sabe, não encontrou de vez a sua paz merecida? Quem sabe...
Bom, mas ainda não havia muito tempo a se perder, pois o Vagante, ainda haveria de ser salva uma jovem que fora enganada pela serpente hedionda, para ter seu amor, mas essa será uma outra história, pra ser contada em outro tempo...




