Como políticos podem compreender a segurança de um povo, se nunca passarão por perigos como a minorias passam todos os dias? Como comerciantes saberão o que é ter de lutar pelo pão de cada dia se eles é quem criam o preço do pão e consequentemente criam a guerra do dia a dia pelo mesmo?
Em resumo, era uma carta fora do baralho, um deslocado sem sentido por estar dentro de um ambiente fútil e frívolo. Sabia que o meu lugar era dentro da ação procurando os maus e defendendo o povo...O que fazia ali era simplesmente patético, pois na realidade nossos líderes políticos queriam tão somente favores dos mais abastados e dos políticos de nome, para que durante seus comandos as tendas deles ficassem sempre abarrotadas de regalias enquanto as nossas, daqueles que sempre estão dentro da ação e ao lado do povo por menos que seja, sempre estávamos esperando a migalha cair das sobras dos líderes, que meu alforje de flechas fosse abastecido com pelo menos duas a mais das 10 flechas que levo para uma grande batalha, que minha armadura enferrujada possa ser trocada pela usada do meu líder que só saía com elas para eventos que renomeassem seus status quor...!
A sua imagem, me remontou o passado onde era um jovem sonhador e pobre achando que com meus ideais emeu Deus poderia mudar o mundo...Estudava ainda em colégios pobres parcos e mal financiados pelo antigo governo local, que até agora nada mudou, mesmo mudando todo o governo várias vezes...Em busca de algo mais fui atrás de uma religião que me trouxesse inspiração divina emeios para minhas ideias e ideais, ora tão utópicos, e dentro da religião conheci ela, que por alguma razão se realçada dentre todas as demais, com seus olhos negros como uma noite escura, sem estrelas ou luar, com sua pele branca, limpa como a neve de inverno que agora cai lá fora, como da primeira vez que a vi...E no mais utópicos dos sonhos foi ela que se aproximou de mim, ela que veio até onde estava, pois sentiu meu interesse meus gostos, sentia aquilo então como um sinal divino e ali pensei encontrei meu futuro e meu possível amor.E foi assim que fui desamorosamente abandonado, e entendi que minha alma deveria se tornar vazia e sem luz se assim quisesse sobreviver na Serra, em meio a toda essa maldita Tradição, que nem mesmo sonhadores e inovadores conseguirão derrubar, assim me aceitei como escravo de meu destino, tentando somente sobreviver, a qualquer custo e manter minha insanidade em um mundo de aparências e vaidades frívolas...
Então esse imundo, pagão, infiel e grosseiro, se achega com sua taça de prata me derramando vinho e me inquirindo pela minha ação nos campos de honra e batalha se queria trabalhar para ele com seu cão fiel, amarrado a soleira de sua porta, sendo alimentado pelas suas mãos, as mesmas mãos que tocam todo o dia nela, que consomem, o que deveria ser louvado e endeusado, como algo santo, e agora jogado as sujas mãos, que acham o ouro comprar tudo inclusive a lealdade e também coragem e honra...
Me viro por amor ainda que restou a ela, e tento sair...Então sinto uma pequena pancada nas costas e algo com peso cai no chão com um tilintar, era uma pequena bolsa de ouro e escuto sua voz ainda me insultando: vamos pegue, uma bolsa de ouro pelo incomodo, pois até isso eu compro, ouviu?
Aquilo me insufla, nisso uma mão desajeitada e gorda de um dos meus mais malditos líderes segura meu ombro, era mais um maldito bladessari...Ele dizia que deveria aceitar e me conter em nome da irmandade e se pensasse no que seria melhor para mim dentro da ordem...
Tomei controle de mim, me viro ao maldito mercante, me agacho e pego a maldita bolsa....Caminho lentamente até a frente daquele maldito, que me espera com um sorriso largo e aberto.
Em um movimento rápido saquei de meu punhal e desferi meu melhor golpe! Atinjo a boca do mercante com a ponta do cabo de meu punhal...Esfacelo vários dentes e enfio aquela maldita bolsa de ouro goela adentro do homem tolo:
- Isso é pelo incômodo!
Bom, pelo menos seis que aquela maldita boca sempre se calará quando lembrar de mim....E quando encaro bem no fundo dos olhos dela, ela começa a se lembrar e também sei que o ferimento, daquela marca também a fará lembrar de mim, assim com lembrei tantos anos dela, como um dos meus mais tristes desamores...
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