Sem nada eu dizer e de imediato, aquela montanha de banha se aproxima de mim e retruca em tom áspero:
-O que tá olhando chefe de grupo?Encontrou algo interessante pra observar?
- Na verdade sim senhor...Me veio a questão do deslocamento de sua tropa..- retruquei quando o homem me deu chance, me interpelando erroneamente.
- Como assim, nosso deslocamento na mata? O que quer dizer com isso?
- Vou direto ao ponto senhor: acho curioso seu grupo se deslocar com o senhor no comando da ação pois esses homens no mínimo teriam de carrega-lo mata adentro a fim de não produzir ruído pelo seu tamanho e peso...Por outro lado também me questiono se sem o senhor ir a lidera-los, ficando somente na sua tenda, qual seria a presteza de suas informações, pois não estariam a nível de informações viáveis e confiáveis, para mudarmos o curso da batalha a nosso favor, garantindo a nossa vitória com o mínimo de sacrifício dos homens que estarão de frente para o combate, homens iguais a mim e de meu grupo, que deverão enfiar a cara dentro daquele sangue todo, cegos e orientados somente com a s informações que vocês colheram, que tal? Isso não lhe parece justo, por eu estar olhando?
Notei que uma vermelhidão subia pela pele rosada e elastificada daquele homem gordo e desajeitado...Esperava que reagisse e assim comprovasse a minha afirmação...Ele se apega ao cabo de sua espada e firma seu punho , enquanto eu o encaro como tigre pronto para golpear antes que desembainhasse a sua espada...então mediante minha postura ele recua e com voz trêmula tenta se firmar dizendo:- Você duvida que homens como eu possam liderar e se preciso sangrar pela tropa que comanda, chefe de grupo?
- E o senhor sangraria agora por seu posto e posição? - provoco um pouco mais, para ver no que vai dar..
- E você chefe de grupo o quanto sangraria agora? - Estávamos entrando em um jogo infantil de palavras, o que mostrava a incapacidade daquele homem gordo e desajeitado para o combate.
Assim, sem pensar muito saquei de minha faca de combate, arregaço minha manga da malha e cortei em meu antebraço o numero de minha unidade, deixando o sangue escorrer um pouco, pingando ao solo. Daí giro a faca no ar, segurando pela lâmina e lado cego e entrego ao gordo desajeitado, que ao ver o meu sangue escorrendo empalidece quase amarelando, e lhe digo calmamente:
O homem agora cercado pelos homens dele e dos meus pois era uma clara disputa de honra e devoção aos seus pelotões, toma a faca sangrenta, e para não deixar o pouca da moral que tem a lhe cair por terra diz:
- O que faço, não precisaria, mas mostro meu comprometimento ao meu pelotão!
Então muito timidamente ele leva minha faca tremula a ponta de seu dedo e procede um pequeno corte superficial, deixando cair três gotas de sangue na terra..Nesse momento claro de comprometimento a sua equipe, escutei os urros de satisfação e de meu grupo, que me ergueram e me levaram a primeira taverna para comemorar, pois somente quem sangra por seu grupo e o defende com a alma pode ser digno da confiança dele...E quanto ao gordo desajeitado? Para o destino dele foi desprezado pelo seu grupo, perdendo posto de comando de campo e se tivesse sorte estaria em algum forte trabalhando na papelada administrativa,pois era justamente o que suas três gotinhas de sangue valiam.
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