Foi numa dessas minhas rondas e trilhas, que encontrei no caminho um mouro, muito peculiar de nome Babá, considerado por muitos um louco, por outros um profeta , Babá vivia um mundo de paradigmas e contrapostos, que se não fossem engraçados em sua maioria das vezes seria um tanto curioso...Bem o dia que eu o encontrei estava discutindo com um de nossos líderes de tropa, quanto ao que deveria ser passado pela fronteira ou não ( ah! Esqueci de lhes dizer que Babá se diz comerciante, mas ta mais pra trambiqueiro de contas e "missangas").
E você devoto cavaleiro, sabe quem eu sou ou do que sou capaz? Eu sou aquele maldito mouro que você vai enfiar a espada na barriga e não vai ter um remorso de morrer, mas eu sim vou lhe encarar de olho no olho e não piscarei um segundo!
Houve então um mortal silêncio entre os dois homens e com dois copos na mão me interponho entre os dois lhes dizendo:
- Os cavalheiros distintos ainda aceitam uma bebida? - Quebramos o gelo, com uma imensa gargalhado dos três, e nos abraçamos rindo da infantilidade que causamos a nós mesmos quando deixamos nossos interesses falarem mais alto que nossa razão e consciência...Dali para a frente nossa amizade foi cada vez mais interligada a ponto de Babá muitas vezes me ceder santuário em sua casa.
Babá tem uma vida particularmente fascinante por que ele vive o que diz, sus palavras são suas ações e enfrenta situações familiares tão bema quanto as públicas de seu serviço do dia a dia...
Babá tomou um gole forte e viu que era tarde somente quando já passava da metade da garganta abaixo...Aquele chá lhe desceu tão quente que ele se segurou forte na almofada, fechou os olhos se avermelhando, a ponto de escorrer uma única lagrima de dor pelo ato impensado, mas não deu um único grito ou maldisse a mulher...E ela retorna olhando a lágrima escorrida e diz com voz de gata mansa:
- Espero que não tenha se queimado, pois vejo uma lágrima entre seu olho?
Babá sorri maliciosamente para mim e respirando fundo responde:
- Que nada amada esposa, a lágrima é de emoção! Tu fizeste tão bem ao gosto de que mamãe sabia fazer o chá, que me correu foi uma lágrima de "saudades", de quando morávamos todos sob o mesmo teto...Mas que não fique só na minha palavra, eis toma um bom gole de teu chá e mediz se não tenho razão...
A mulher sem opção e para não admitir a sabotagem premeditada no chá de Babá também toma do gole pelante que desce queimando a sua sensível garganta, e no mesmo gesto que Babá, se encolhe toda fecha os olhos toda avermelhada e escorre também uma lágrima de dor. Babá retruca:
- E então queria esposinha, por acaso a água esta muito quente para você?
A mulher toma fôlego e num suspiro responde:
- Não meu querido marido, você tem razão mesmo! Olha o chá tá tão bem feito que me lembra totalmente de sua querida mãe e essa lágrima é de saudades que comecei a ter sobre ela...Foi isso!
A esposa se retira e após um tempo Babá me dizia que era dentre tantas coisas pela qual ele se casara com a sua esposa, pelo ímpeto...As pessoas de ímpeto mostram suas intenções reais e não as escondem, pelo tanto são bem sinceras...Então quando enfrentamos as adversidades com humor, disparos trocados não doem tanto e mais unem do que separam, é assim que opostos geralmente se atraem, sem motivo aparente inicial e peculiarmente, os mantém indefinitivamente unidos.
Assim, pela primeira vez comi, com um largo sorriso, juntamente com os dois melhores amigos uma refeição fria, a fim de acalmar as brincadeira quentes desse lindo casal...Sim ali era um verdadeiro santuário do divino e eu pude compartilhar de sua felicidade por longo tempo.

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