Em meus caminhos nunca gostei de liderar mas de intermediar, o ajuste é mais fino do que a incisão me disse um antigo mestre...Em dado momento enquanto coordenava meu grupo este me achega e diz que não precisava de meus serviços de coordenação mas de obra braçal...Meus homens se entreolharam e eu apenas sorri,e acompanhei-o ao serviço que deveria ser feito.
Passamos a limpar salas alojamentos,cortar a grama , varrer calçadas, consertar o teto lavar os trens e de cama e até na folga fazer o almoço e demais refeiçoes...E os documentos de tramites ficaram para o jovem líder se esboçar em sua formação acadêmica e teórica, o que sem experiencia não ajudou muito, lhe trazendo mais incomodo,e o deixando insatisfeito com o meu trabalho e dos demais, por mais que fizéssemos perfeito. A todo o momento por causa de sua própria incompetência e vaidade ferida ele o jovem líder que deveria apoiar e incentivar seus comandados, era ele nosso algoz e de chacotas cruéis, em um processo autofágico, que mais e mais o levavam a seu próprio e sob medida caminho de ruína. Nem mesmo na hora das refeições os reclames paravam, devido ao seu desmetido gosto e acertos.
Certa manha esse jovem líder se encontra com um péssimo humor e resolve testar atos de fidelidade de seus inferiores um tanto ridicularizados, por uma perfídia doentia e nesse caso o eleito fui eu, tanto porque ele não ia muito com os cavaleiros da serra,pois sempre fomos leais e sérios em nossas missões recebidas. Portanto só trabalhos de valores estavam reservados a nosso dispor. Então porque nada melhor do que satirizar tamanha qualidade de homens através de um intermediário?
Bem vá la, ele me chama e manda entregar a um nativo um elmo como sinal de desculpas pelas afrontas que causou...Ora,com os nativos em pé de guerra subir o morro para falar com eles era ato igual e haveria combate na certa.
Pedi uma pequena tropa de confiança e me foi negado dizendo que homens de valor fazem tudo sozinho. Pedi montaria e me foi negado dizendo que homens de valor caminham sozinho.
Então lhe disse se realmente ele acreditava nessas palavras me daria pelo menos armas para que pudesse combater, e se fosse preciso morrer como o homem de valor que ele esperava que o fosse...
Com um largo sorriso de desdém ele o permitiu ainda me dando a chance de desistir da missão,provando a todos que de valor nada tinha a ofertar dali pra frente. Fiquei em silencio peguei o maldito elmo me armei e subi aquele morro da perdição! Amigos lembrem: ordem dada,ordem cumprida, esse é o inicio do caminho do homem de valor!Foi o que escutei aos berros nas minhas costas, seguido de sua gargalhada doentia.
E foi assim, que a menor guerra da historia local começou.
Saraivadas de setas tentavam atingir-me mas as ordens eram implacáveis. pedras e madeiras foram roladas morro abaixo contra mim,mas as ordens eram implacáveis...
Gritos de raiva foram sufocados por pedidos de compaixão, mas as ordens eram implacáveis.
Ao termino da tarde desci o morro com a missão cumprida,descarregado de minhas setas
com meus escudos e armaduras tingidos com sangue de outrem,e trazendo dentro de um saco,o que pude carregar, três cabeças!
A primeira foi do que primeiro tentou me acertar, a do segundo foi do que tentou ,errou e pediu clemência, e a ultima foi do homem que meu jovem líder me mandara entregar o elmo, que levou como ofensa, aquele abusivo sinal de paz e também tentou me acertar...Todas elas foram atiradas aos pés dele,e o encaram com seus olhos sem vida, tão acusatórios,pareciam dizer: isso tudo foi mesmo necessário?
O jovem líder logo se retirou para outra escuderia, por naos só não conseguir a viver na sombra de seu pai, mas por também ter de carregar os pecados que sua rebeldia ocasionou...Quando lideramos sem intermediários somos responsáveis por quaisquer atos a mando nosso.Espero até hoje sinceramente que o jovem líder encontre a paz que tanto procura.
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